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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Panquecas preciosas

Uma das piores coisas que me pode acontecer, e que acontece muito frequentemente, é acabar o gás enquanto eu estou a tomar banho. Um destes dias gelados, mal tinha entrado na banheira, coloquei o shampô no cabelo e quando dei uma chuveirada, senti-me enregelar. A água estava completamente gelada e eu encolhi-me imediatamente. Dei uns quantos berrinhos até alguém me ouvir e perguntei, alto e bom som, se o gás tinha terminado. A minha mãe gritou: "Tens cá uma sorte, tem sempre que terminar quando vais tu tomar banho!"
Fiquei ali à espera, dentro da banheira, com o cabelo ensaboado, os neurónios quase catatónicos e a sentir-me a entrar em hipotermia. Lembrei-me do filme "O Senhor dos Anéis". Porquê? - perguntam vocês. Porque eu parecia o Gollum, dobrada sobre mim mesma, a olhar para a torneira de água quente e a pensar "my precious" :)
Preciosas são também estas panquecas com bagos de rubi que, apesar de deliciosas, não me salvaram da constipação mas dão-me um certo conforto nestes dias de frio intenso!

Panquecas de laranja e romã:

5 colheres (sopa) de manteiga
1 chávena de leite
2 ovos
1 chávena de farinha (usei 1/2 farinha para bolos e 1/2 de farinha integral)
1/4 chávena de farinha de milho amarela
1 colher (sopa) de açúcar
1 colher (sopa) + 1 colher (chá) fermento em pó
3/4 colher (chá) de sal
3/4 chávena de bagos de romã
2 colheres (chá) de zest de laranja

Preparação:
Aqueça o leite com a manteiga até que esta derreta. Reserve até estar morno, cerca de 15 minutos. Bata os ovos e, lentamente, adicione 1/4 chávena da mistura de leite. Junte o resto do leite e mexa.
Numa tigela junte as farinhas, açúcar, fermento e sal. Junte a mistura de ovos à mistura seca, um pouco de cada vez, mexendo lentamente até que os ingredientes secos fiquem misturados. Deve ficar uma mistura grumosa e começar a borbulhar.
Adicione os bagos de romã e o zest de laranja e mexa até ficarem misturados.
Aqueça a frigideira, unte com manteiga e adicione 1/4 de chávena da mistura. Cozinhe de um lado e de outro e sirva quente com maple syrup.


Notas:
Rende cerca de 12 panquecas, se usarem a medida de 1/4 de chávena.
Caso pretendam uma massa mais doce, adicionem mais 1 ou 2 colheres de açúcar.
Vi a receita no blog Minimally Invasive, embora a receita original venha do New York Times mas é feita com arandos frescos.

Continuação de boa semana a todos!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Potes de romã e baunilha

Se viesse cá alguém jantar
Levava de sobremesa,
Potes para saborear
Com romãs, que beleza!
A baunilha a acompanhar,
Depositou-se no fundinho.
Um creme de lambuzar
Para aconchegar o corpinho.

Isto agora é todos os dias, não? Óbvio que não mas, aqui há uns tempos atrás, alguém me desafiou a fazer algo do género. Não é bem bem isto mas está lá perto e eu ando parca na prosa :)
Resta dizer que vi esta receita no blog Sass & Veracity há muito tempo mas, infelizmente, a época das romãs acontece uma vez no ano e só agora tive oportunidade de testar. Como a minha mãe me disse: "podes fazer mais!". O creme é mesmo muito bom e as sementes de baunilha fazem toda a diferença, como se vê pela foto :)

Ingredientes:
1 chávena de leite
1 chávena de natas
2 vagens de baunilha
5 gemas de ovos
6 colheres (sopa) de açúcar
6 colheres (sopa) de bagos de romã

Preparação:
Pré-aqueça o forno a 180º. Prepare um tabuleiro com 4-6 ramequins. Unte-os com óleo e reserve.
Coloque o leite e as natas numa panela. Parta as vagens de baunilha ao meio, abra-as e raspe as sementes. Combine as sementes e a vagem vazia de baunilha com o leite e as natas, e leve a ferver em lume médio.
Numa tigela, mexa as gemas de ovos e o açúcar até estar bem misturado.
Quando a mistura do leite começar a ferver, retire as vagens de baunilha e descarte. Mexa bem a mistura e com a panela numa mão e um batedor na outra, ponha um pouco do leite quente sobre a mistura de ovos, batendo bem enquanto despeja. Continue a adicionar o leite um pouco de cada vez, mexendo rapidamente com o batedor. Faça com que todas as sementes de baunilha sejam retiradas do fundo da panela e adicionadas à mistura.
Divida pelos ramequins e salpique os bagos de romã em cada um. Coloque o tabuleiro no forno e adicione água quente até cerca de meio da altura dos ramequins. Deixe-os no forno por cerca de 1 hora ou até que os topos estejam dourados e o creme assente. Remova da água e deixe arrefecer.

Notas:
Ao invés de ramequins usei potinhos de iogurte para ver melhor o efeito dos bagos de romã e das sementes de baunilha.
Não os untei com óleo, achei que o sabor poderia ficar comprometido, mas se usarem ramequins e quiserem desenformar no final, aconselho a usar spray para untar.
Usei apenas meia vagem de baunilha porque era daquelas muito gordas, e nunca as deito fora depois de usar; passo-as por água, seco-as bem com papel absorvente e coloco-as em açúcar. Deste modo obtenho açúcar baunilhado.
Usei apenas 3 gemas de ovo.
Obtive creme suficiente para encher 4 potinhos de iogurte.

Continuação de boa semana!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Arroz doce com romã

Esta receita é de 2009 e foi escrita em 2009 também! Ainda não voltei à cozinha. A única coisa que tenho feito é pão, sempre a mesma receita, mas espero que isso mude este fim de semana :)

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No mínimo, merecia uma tareia. Andei meia vida a dizer que não gostava de arroz doce. De facto, há arroz doce que é uma mistela tão desenxabida, sem vida e pálida que me dá um certo arrepio.
Enquanto estudei em Coimbra, tinha que passar pelas prateleiras de disposição de comida quando ia às cantinas, e tinham sempre um arroz doce nojento nuns pratos minúsculos à disposição de quem quisesse. O mais incrível é que havia quem comesse aquilo. Mas já vi comerem de tudo. Digamos que partilhei casa com pessoas um bocadinho manhosas :)
O arroz à moda de Coimbra é mesmo assim, uma coisa sem cor e sem graça e, muito naturalmente, é-o porque não leva ovos!

No entanto, uma amiga que vivia comigo fez uma vez um arroz doce, naquele nosso fogão do século passado, que exigia um certo tempo de volta dele. Mas, tinha um aspecto tão bom, e os grãos não andavam a nadar no leite, que eu tive que lhe pedir para provar. Transformou uma coisa que eu achava horrível, num creme delicioso e delicado. Depois, terminei a faculdade e vim-me embora. O arroz doce continuou a não fazer parte da minha vida. Para branca e desgraçada já basto eu ;)

Até que, há uns tempos atrás fui encontrar a TitiSu de volta de uma panela, como se de um caldeirão se tratasse e mexia, voltava e mexer, remexia e eu intrigada. Achava que aquilo era leite creme de tão amarelinho e cremoso que estava. Mas não, era mesmo arroz doce que ela fez com um merengue por cima, e que eu não posso fazer porque o meu forno não tem grill e não ia ficar a mesma coisa.

Adiante, a TitiSu fez um arroz doce 5 estrelas!
Blá, blá, blá (é um atalho senão nunca mais saio daqui) e encontrei esta receita de arroz doce com romã e decidi que era desta que eu me atrevia a fazer arroz doce.
Pronto, fiz porque a romã é linda e eu adoro comer os baguinhos à colherada :)
Além do mais, o rosadinho do arroz era tão apelativo e em italiano tudo fica tão mais romântico, que me deixei levar!

Ingredientes:
250 gr de arroz arbório (usei carolino)
500 ml de leite
750 ml água (500 + 250)
100 gr de açúcar
1 romã
zest de limão (usei casca)
1 pitada de sal
corante cor de rosa (opcional)

Numa panela ferva o leite com 500 ml de água e o sal.
Junte o arroz e cozinhe-o por cerca de 20 minutos, mexendo ocasionalmente. Noutra panela aqueça os 250 ml de água com o zest de limão e o açúcar e mexa até que o açúcar se dissolva.
Retire o zest de limão (por isso usei casca, é mais fácil de retirar) e insira os bagos de romã (reserve alguns para decoração) e ferva por 5 minutos, filtre o sumo. Insira-o no arroz e continue a cozinhar até todo o líquido ter sido absorvido (junte o corante e misture).
Deixe repousar por alguns minutos. Divida o arroz por taça, polvilhe com bagos de romã e sirva.


Usei duas gotinhas de corante para ajudar a ficar mais rosadinho. O segredo para o arroz ficar cozido é não misturar o açúcar logo no início, porque há uma enzima que não permite que o arroz coza em contacto com o açúcar.

Este arroz não fica tão doce quanto o original. O sumo de romã dá-lhe um sabor bem diferente. Fica muito bom e eu comi com muito prazer. Finalmente fiz as pazes com o arroz doce :) Agora tenho que experimentar mais receitinhas, desde que não sejam pálidas! A minha vida precisa de cor ;)

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Se em 2009 eu achava que a minha vida precisava de cor, imaginem agora? Mas isto um dia passa e esse dia tem que estar para breve :) Se não ficar cor-de-rosa ao menos que fique lilás he he
Ainda não consegui agradecer pessoalmente a todos que ajudaram o Matias mas em breve vou fazê-lo!
Há notícias do possuído, aqui!