quarta-feira, 23 de março de 2011

Vou contar-vos como foi


Esta história é da e para a minha mãe, já que nos anos 60 e 70 eu ainda não estava nos planos.

São 8 irmãos, 4 rapazes e 4 raparigas. Elas são todas Maria e eles quase todos Manéis, com um José pelo meio só para destoar. Havia um pai e uma mãe, um tio paterno, mais o pai do meu avô e uma tia da minha avó - casada com um irmão da minha avó, mas já viúva e mais conhecida por "velhota" - eram muitos, 13 sentados à mesa. Naquele tempo fazia-se broa de milho para 8 dias e usava-se como unidade de medida a arroba. Naquele tempo o pão durava e, mesmo duro, era bem aproveitado. A farinha usada era peneirada, só farinha de milho branca, com a água, o sal e o fermento de padeiro. Fui ouvindo estas histórias pela minha vida fora, a família é divertida, as tropelias da infância marcaram-lhes a memória e choramos a rir com isso. Dizem que já não há amigos como antigamente e pão também não. Nasci nos loucos 80, mas a broa de milho perpetuou-se no tempo, a minha avó paterna também a fazia e eu acompanhava todo o processo mas a memória é traiçoeira.
Depois de falar com a minha mãe, depois de ligar à minha tia, chegamos aos ingredientes, mas as quantidades é que foi pior. Resolvi tentar e testar. A receita poderia até nem dar certo - na primeira tentativa foi parar ao pato - mas a história, essa, não falha:

Os oito juntavam-se e, tal como é natural, brincavam às mães e aos filhos. Elas, com pouca diferença de idade umas das outras, reuniam-se, preparavam o almoço e colocavam os irmãos em sentido, em filinha e de bico aberto. É dever das mães sustentar os filhos, certo? Claro que sim, e elas tratavam bem deles. A broa era esfarelada e picavam uma cebola bem picadinha. Misturavam tudo e diziam aos "pintainhos" para abrir a boquinha :) Aquele que se atrevesse a cerrar os dentes, levava com uma delas a tapar-lhe o nariz e outra a enfiar-lhe pela goela abaixo essa deliciosa iguaria que resultava num hálito maravilhoso para o resto do dia ;) Há ainda um tio verdadeiramente traumatizado e que nem pode ouvir falar em broa com cebola!

As crianças são o espelho dos pais! A minha avó materna - conta a minha mãe - usava a broa de milho já bem dura, com 8 dias, partida em pedacinhos, salpicada com umas colheradas de açúcar e uns goles de vinho tinto caseiro e começava a chamar pelos filhos: "Venham cá que é hora do lanche!". Os 8 sentados à mesa, engoliam sem esforço, sem narizes tapados à força, as sopas de cavalo cansado :) Para rematar, entre muito riso e pouco juízo que este desafio me trouxe, diz-me a minha mãe assim: "Nenhum de nós nunca partiu um osso, entre broa com cebola e broa com vinho tinto, estamos rijos e prontos para o que der e vier".
Se fosse hoje, digo eu, estariam todos entregues à segurança social!

Broa de milho

500 g de farinha de milho branca
20 g de fermento de padeiro
300 ml de água
1 colher (chá) de sal

Amorna-se a água e nela se dissolve o fermento. Junta-se a farinha e o sal. Amassa-se bem e deixa-se levedar até que dobre de volume. Antigamente, deixava-se de um dia para o outro. Depois de levedada, passa-se para uma bacia com farinha e dá-se uma volta à massa para a enfarinhar. Coloca-se num tabuleiro enfarinhado e leva-se a forno bem quente até ficar com a côdea dura e bem dourada.
Podem fazer e levedar a massa na MFP.

Esta receita e esta pequena história são a resposta ao desafio "Conte-me a sua receita", proposto pela Laranjinha. Estende-se até dia 27 de Março e, se têm alguma receita com história destas décadas, ainda vão a tempo de participar :)

49 comentários:

3 B's disse...

O que eu me ri com a parte da segurança social :)

Ana Powell disse...

As coisas hoje em dia, já não são o que eram, não sei se para melhor ou para pior.
Sou bastante apreciadora deste pão ♥

Isa Lourenço disse...

Ameixinha,

Muita coisa mudou e o que era normal no passado, hoje é anormal :/

Adoro broa de milho e sempre que vou ao norte, tenho que trazer para Lisboa, pois a broa daqui é bem diferente.

Bjocas grandes

"Manjares da Manu" disse...

Eu gosto muito de broa, lembra muito a minha saudosa vó!!!
Ficou linda!!!

Bjs....

Cinha disse...

Adorei a história e a receita!
Diz-me uma coisa,por aqui não encontro farinha de milho branco, achas que dá para fazer com amarelo? E na máquina de Pão,dará?
Beijinhos grandes.

Luciana Betenson disse...

Amei esta história :-) E eu vou te contar que fiquei com muita vontade de comer esta broa amanhecida aos pedacinhos com açúcar polvilhado e vinho tinto por cima hummmmmmmm...

Gisela disse...

Ameixinha, como sempre as tuas deixam-me muito bem disposta. As coisas já não são o que eram nesses tempos sem duvida, e se calhar estava tudo entregue á Segurança Social como dizes, mas eram felizes e isso é o mais importante.

Essa broa está linda, manda um bocadinho cá para o Sul
beijinhos e bom resto de semana

CRIKA disse...

Ficou linda esta broa adorei!!! Bjks

Cucchiaio pieno disse...

Hehehe, adorei! Não existem mais pais como antigamente. Hoje são as próprias crianças a telefonarem para segurança social!
Broa de milho lembra a minha infância, amo!
Um abraço
Léia

Babette disse...

Uma história deliciosa!...
E com grandes ensinamentos para os dias de hoje!... talvez não tanto a parte da broa com cebola, mas sim o aproveitamento estrito e racional dos ingredientes!
Babette

Saltapocinhas disse...

eu adoro broa, mas adorei ainda mais a tua história!
na casa da minha avó também havia sempre broa e ainda me lembro de a ver a fazê-la. aliás, a mesa da cozinha servia também de lugar para arrumar ingredientes da broa e era onde esta se amassava (tinha uma tampa)

Marly disse...

A receita deve resultar num simples e delicioso pão de milho. Mas penso que os mais velhos têm razão em defender os costumes de então; os confortos e farturas de hoje não têm produzido pessoas mais fortes nem mais saudáveis, rsrs.

Noémia disse...

Adorei a história e a receita.
Naquele tempo não havia as mordomias de hoje e o pão era muito bom fosse polvilhado de açúcar ou regado de azeite e esfregado com alho.
Não está na moda agora, como entrada em restaurantes "finos"?
Porque não cebola com broa?
Ainda me entusiasmo e experimento a tua broa naquele forno de pedra que tenho na cozinha a pedir para ser inaugurado! :)

ameixa seca disse...

3B's, é verdade. E eu sou do início dos anos 80 e comi muita sopinha de cavalo cansado. Uma pinga não faz mal a ninguém :)
Ana, também não sei mas acho que é para bem pior :)
Isa, nunca provei broa daí mas a daqui e caseira é uma delícia :)
Manu, também me lembra da minha :)
Cinha, farinha de milho branco só se encontra nas padarias. A minha 1ª experiência foi com a farinha de milho amarelo e não resultou :)
Luciana, ainda para mais com vinho tinto caseiro... delícia :)
Gisela, bem disposta fico eu com os comentários ;)
Crika, obrigada :)
Léia, não é normal... isso é porque os pais nem sempre sabem cumprir o seu papel de pais, né? ;)
Babette, há quem coma coisas bem piores que broa com cebola e ande por aí a mostrar nos blogs ;)
Saltapocinhas, as minhas avós tinham mesmo uma masseira enorme, de madeira e eu adorava ter uma :)
Marly, antigamente migalhas eram pão. Hoje em dia quase nenhuma criança quer pão...
Noémia, a broa de milho deve mesmo ser cozida em forno de lenha. A minha avó de vez em quando colocava uma folha de couve por baixo do pão antes de o levar ao forno para não queimar ;)

Belocas disse...

Uma bela broa de milho e uma bela história.
Bjs

moranguita disse...

ca em casa ate a uns anos tambem faziamos broa assim. agora e mais raro como a padaria aqui tem sempre.
mas addoro quando a minha mae faz.
boa participaçao
beijinhos

Amehlia Digital ® disse...

Por vezes penso que nasci em época errada. Vejo as dificuldades vividas de outrora e pessoas mais sensatas, com saúde e respeitosas com o próximo e com tudo a sua volta...por saberem o que passaram.
Hoje em dia...como diria uma comediante na tv...'...é melhor não comentar...' =}
Amo broas e amo suas histórias!
Um bejim grande para vc e para sua mamis por ser tão cheia de vida e partilhar história de superação

Lourdes Sabioni disse...

KKKKK!!!! Só voce Ameixinha, para fazer-me rir nas beiradas de meia noite!!!
Beijos!

Monisilva disse...

Ameixinha que historia tão linda, com um fim de dar uma gargalhada :) Estas broas de milho são uma reliquia aqui no Norte :)

Beijinhos

gasparzinha disse...

Amiga, a loucura que te domina pelos vistos vem de família! :) Adorei conhecer as tropelias infantis da tua família.
Se há coisa que eu adoro é broa de milho branco. quando era mais miúda e passava as tardes no cinema, havia uma padaria fantástica ao lado onde eu e uma amiga minha nos abastecíamos de um pedaço gigante de broa para comermos durante o filme. Qual pipocas, qual quê, broa no cinema é do melhor!
Aprendi que para obter um bom miolo de broa o ideal é escaldar primeiro a farinha em água a ferver.
há muito tempo que não faço broa em casa, fiquei cheia de vontade de comer uma broa de 8 dias esfarelada com cebola! :) :) :)
Beijinhos

Moira disse...

Sempre lindas, as tuas histórias, fartei-me de rir, parece-me que a tua mãe e as tuas tias também eram frescas hehehehe
Apesar de tudo não me parece nada horripilante a mistura de broa com cebola, especialmente se for da nova. Em casa das minhas tias faziam broa dessa com sarinhas lá dentro e outra com pedaços de toucinho.

Rachel disse...

Sem dúvida que os tempos agora são outros, mas antigamente era tudo mais verdadeiro e as pessoas fizeram-me mais rijas e mais fortes, tudo isso constrói a personalidade de um pessoa e prapara-os para a vida de uma forma que hoje metade da população não aguentava.

bjs

Catarina - ReceitaseSaboresdoMundo disse...

Ameixa,
Adorei a historia... Realmente não se fazem coisas como antigamente. Também me lembro das receitas da minha avo que eram deliciosas... Mas naquele tempo faziam tudo a olho, bem para dizer a verdade também sou terrível com as medidas : ) Mas só te digo que essa broa esta com um aspecto maravilhoso e bem caseirinha : )
Beijinhos

Nela disse...

Kerida, achei mto engraçada a tua história, mas tb bem realista, pois as pessoas comiam do k tinham, não passavam fome e não fazia dividas e, conseguiam viver até aos 90 anos pq tinham comida pura para a época. Tb ouvi mtas histórias assim á mha avó materna e, k saudades tenho.Kto á broa está com óptimo aspecto, tdas as semanas compro uma, pois tenho uma visita de fim de semana k tb adora, tb jás fiz na máquina e ficou mto boa, mas amassada á mão e se puder ser feita em forno de lenha melhor ainda, como sempre te dou os Parabéns, bjsss.

Josy disse...

Ameixa,

Adoro vir aqui na sua cozinha, saio sempre com água na boca e um sorriso no rosto...Adoro suas histórias, de vida, histórias reais, que todos nós vivemos um dia, são lindas recordações que nos fazem refletir....adorei a broa. Linda...bjocas e um lindo dia pra vc

Sandra G disse...

Ameixinha a tua mãe é que disse uma grande verdade, nessa altura eram todos mais rijos, com broa e cebola ou broa e vinho, eram sem dúvida mais resistentes que os miudos hoje em dia.

Adoro broa, nunca faltava lá em casa.

Bjs

Suzana disse...

Ameixa Maria,

Eu logo vi que esse teu sentido de humor tinha de ter uma explicação nas sopas de cavalo cansado!! E sim, a segurança social faria um festim com esses lanches. :)))
A broa parece-me lindamente. Com um copo de vinho tinto ainda me parece melhor. (A ver se desta vez não faço o mesmo do costume e metade não acaba na camisola).

Beijo enorme e até breve!!

Pão, Bolos e Cia. disse...

A receita da broa de milho anda aqui por casa em remodelações há muito. Ainda não publiquei porque mais uma vez não há tempo para... nada.
Já a fiz na MFP e no forno, a receita que afinei é diferente da tua, qualquer dia aparece.~

Sim tinha-me esquecido que tb há o xarope de ácer e xarope de arandos nessas promoções. Quando aparecer eu digo-te e dp se quiseres envio.
Ciao

M. disse...

Ai, espectacular, Ameixinha!!! Que rico pratinho da broa com cebola ;)))
Bjsss,
Madalena

Ginja disse...

Que fixe! Adorei a tua historia. E o bom humor ja vem de familia! Fizeste-me lembrar a minha infância, quando a minha avó amassava a broa de milho branco e a cozia no forno a lenha...era um espectáculo, adorava :))) Boa lembrança. A tua broa está com um rico aspecto. Beijinhos e nada de abusar nas sopas de cavalo cansado,hihi.

Laranjinha disse...

Querida Ameixinha,

gostei imenso da tua história. Fartei-me de rir. Só mesmo tu. És inigualável com o teu sentido de humor.

Essa broa marchava sim senhor e com o copinho de vinho tinto, ainda melhor. :)

Um beijinho.

Larana disse...

Uma história hilariante e verdadeiramente genuina....só mesmo tu.

quanto á broa, masnda um bocadinho por correio, sim???


Beijokinhas doces:)))

Helena disse...

Eheheh! Pois eu era capaz de comer essa broa mesmo com cebola. Faço um pão com cebola que gosto e muito. Quem me dera trincar essa côdea!

K' delícias disse...

Sorte de quem nasceu dos anos 80 pra cá, eu sou dos 70 e cheguei a pegar alguma judiação na minha infância...hehehe
Adorei a receita da broa.
bjus*--*

Fabiana disse...

Ameixa,
Adorei essa história da sua mãe, e junto com a história, veio essa bela receita.
Eu também adoro ouvir as histórias da minha mãe, sempre batalhadora, numa época dificil....e que foi passado para mim também.
Nasci em 75 e só posso dizer que só tenho a agradecer todas as dificuldades que a vida me impôs.
ah, adoro falar do passado....se deixar fico a noite inteira aqui.kkkk
beijos

Margarida disse...

Amiga, a tua história deixou-me a rir do princípio ao fim mas fez-me recordar as palavras sábias dos meus avós em relação à comida. "Não gosta come na mesma porque há por aí muita gente a passar fome!" Nunca me deram broa mas me dessem seria certamente muito benvinda! Fiz há uns anos broa de milho branca e lemrbo-me de ter escaldado a farinha antes.
beijocas e até já!

ameixa seca disse...

Belocas, Sandra G, M., Larana, K'delícias, obrigada :)
Moranguita, quando somos nós a fazer é sempre outra coisa e eu moro num sítio onde não há padarias perto :)
Vinni, a verdade é que passamos a vida a fazer queixas disto e daquilo e nem sabemos o quanto somos sortudos :)
Lourdes, a história é verídica, as que eu conto são sempre :)
Monisilva, são deliciosas :)
Gasparzinha, é hereditária e ainda faltam tantas histórias loucas para contar :) Eles são todos uns possuídos, irmãos e irmãs e quando se juntam a casa vem mesmo abaixo :) As minhas avós também escaldavam primeiro a farinha mas eu simplifiquei a coisa.
Moira, elas são frescas e destravadas... nem imaginas o quanto :) A minha avó paterna fazia isso, chama-se bôla com pedacinhos de carne de porco gorda ou sardinhas pequeninas :)
Rachel, hoje é só frasquinhos de cheiro :)
Catarina, nós também vamos aprendendo a ter olho para a coisa :)
Nela, algumas passavam bastante fome e, por isso, o pão era para 8 dias. Dava sempre para ir roendo a côdea e ir enganando a fome :)
Josy, é sempre bom prestar esta espécie de terapia :)
Suzana, está explicado he he Muita gente precisava de comer umas sopinhas destas pra ver se o sentido de humor e a simpatia cresciam :)
Renato, as minhas avós às vezes juntavam farinha de centeio ou farinha de trigo à broa. Ficava uma delícia :) Obrigada!
Ginja, desde a infância que não como essas sopas. Com sorte ainda faço umas e partilho com o possuído do gato :)
Laranjinha, foi um prazer participar. Muito obrigada :)
Helena, a côdea é que é boa :)
Fabiana, do jeito que isto está, vamos passar por muitas dificuldades ainda :)
Margarida, eu continuo a dizer a mesma coisa. A minha mãe diz que não podemos "ter barbos" :)

Cozinha Tricolor disse...

Amei a história de vida da tua família. Muitas vezes a minha mãe conta histórias semelhantes. Eram tempos difíceis mas saudáveis.
As saudades que eu tenho do pão caseiro da minha avó C. A broa não era costume fazer, eram mais as bolas de carne e bacalhau e o pãozinho...Tudo cozido a forno de lenha. Nunca comi sopa de cavalo cansado, mas lembro-me bem de ter para pequeno almoço uma caneca de leite com café de cevada e pão migado. Hoje em dia qual é a criança que o faz? É só cereais e umas quantas parvoíces.
Boas histórias...e bons cozinhados!

Karla Maria disse...

Essas lembranças são impagáveis, Ameixinha.
Amei ler a sua história.
Bj

turbolenta disse...

Pois eu ontem já tinha comentado, mas…não sei porquê, não entrou . Talvez porque a “escrita” era pequena (como de costume…).Por isso vou dividir em 2 comentários.
A broa também me traz gratas recordações da minha infância. Dia de cozer o pão era dia de festa para mim e para os meus primos. Lembro-me perfeitamente de todo o processo. E, sendo a mais velha, por mais que tentasse, nunca a minha avó me deixou meter as mãos na massa. Mas lembro-me da chamada maceira, que era de madeira e onde a avó amassava o pão. Na altura, não se usava fermento de padeiro. Era retirada um pouco de massa, feita uma cruz sobre a massa, que se polvilhava com farinha. Era o chamado “crescento” que ficava até à semana seguinte a fermentar numa tigela de barro vidrado e coberta com um pano branco.
E era uma festa para mim, porque , no final da avó tender as broas e elas já estarem no forno, cada um de nós tinha direito a fazer a sua própria broa, que ela colocava no forno com uma grande pá.
Aí também havia um critério a seguir: para evitar guerras quando o pão saísse do forno( e porque todos os netos diziam que o maior era o seu)… havia que marcar o pão de cada um com uns pauzinhos espetados. A mim, sendo a mais velha, cabia-me só um pauzinho.
Como “gatos à espreita das filhoses” ali ficávamos à espera que cozesse.

turbolenta disse...

Continuação:

Seguia-se outro ritual: cada um sentado no seu banquinho pequeno, esperando, pacientemente esse grande petisco: Uma fatia da nossa própria broa, ainda quente e barrada com manteiga caseira e uma tijela com azeitonas para quem as quisesse.
Também durava 8 dias essa fornada de pão.
Mas posso confirmar que, mesmo ao fim desse tempo, ele se mantinha mais mole que muito deste pão que compramos, em boutiques de pão e que, no dia seguinte está, como seu costumo dizer “duro como os cornos”.
Ainda hoje compro broa.
Mas cá em casa, há quem goste dela de outra maneira: uma boa fatia, aquecida no micro ondas, à qual se esfrega um deste de alho inteiro e de seguida pincelada com azeite quente.
Uma maravilha! Qual pão de alho da Pizza Hut, qual quê! É muito melhor.

Mas olhando para a tua broa, que tem um aspecto fabuloso, esta e muitas outras histórias me vieram à ideia.
Por isso te digo que vale a pena continuares a confeccionar receitas tão antigas como a que nos apresentaste. A tua saúde agradece e nós também.
Desejos de boa semana

turbolenta disse...

Rectifico no 2º comentário:
"dente de alho" e não deste de alho

ameixa seca disse...

Cozinha tricolar, broa de milho com cevada a ferver era em casa da minha avó paterna que também era padeira, mas isso é assunto para outra história :) Obrigada!
Karla Maria, impagáveis mesmo, obrigada :)
Turbolenta, era masseira, as minhas avós tinham, enormes já que eram arrobas de farinha. Eu amassava mas era com a minha avó paterna e fazíamos broas pequeninas também ;) Ainda hoje se faz pão com a massa do último, eu é que nunca guardo mas hei-de fazê-lo :)

Lucie disse...

Olá Ameixinha!:) recebi o cupao hoje!:) muito muito muito obrigada!:D

ameixa seca disse...

Lucie, para a próxima envia por mail não vá o pessoal pensar que eu ando a distribuir cupões para ir às compras :) Foi só um talão grátis que recebi em casa para trocar por um saquinho de comida para cachorrinhos.

moranguita disse...

la em casa tambem se faz agora nao tao frequentemente mas de vez em quando la saem umas broas de milho caseirinhas.
beijinhos

ameixa seca disse...

Moranguita, de vez em quando sabem muito bem :)

Salsa Verde disse...

Uma história fantástica e um pãosinho bem especial!!
Beijinhos,
Lia.

ameixa seca disse...

Lia, obrigada :)